segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Gamificando a educação de nossos filhos | Gamecubo

Recentemente, almoçando com um amigo, estávamos discutindo sobre a educação de nossos filhos já na fase pós-adolescência. Ele estava dizendo que sua filha, de 19 anos, não colaborava em nada com os afazeres de casa. Ao retornar do trabalho, a encontrava do mesmo jeito que a tinha deixado de manhã: com um fone de ouvido de frente ao computador e a casa uma bagunça só. Reclamava bastante que ela não tinha nenhum senso de responsabilidade.

Responsabilidade adquire-se desde cedo. Lembro-me que, quando tinha 15 anos, meu pai levou-me para procurar meu primeiro emprego, de Office-boy em uma grande multinacional japonesa. Não tive escolha, quem escolheu foi meu pai. Foi meio que no “automático”, como se meu pai tivesse me dado corda. Dessa forma, assumi minhas primeiras responsabilidades, como controlar meus gastos com o dinheiro e ajudar nas despesas domésticas. Aos 18, já tinham uma certa autonomia. Obstáculos foram inseridos no meu caminho para que atingisse meu amadurecimento, como num jogo. Conforme passamos de níveis, vamos adquirindo novas ferramentas para enfrentar os desafios mais difíceis de nossa jornada até conquistarmos nosso objetivo.

Tenho um filho de 19 anos, ingressou no mercado de trabalho aos 17, como aprendiz. Sempre disse a ele, desde pequeno, que devemos conquistar nossos objetivos com esforço e dedicação. É uma conquista diária. Lembro-me que, quando ele tinha dez anos, compramos seu primeiro vídeo game, o brinquedo dos sonhos: um playstation 01. Combinamos assim: junte sua mesada que eu te ajudo. Gamificamos a relação: quanto mais moedas você acumular, mais bônus você vai ganhar, igualzinho ao Super Mario, não é verdade? Só que, em vez de salvar a princesa, você ganha seu vídeo game.

Obstáculos, desafios, moedas, bônus, são elementos encontrados no mundo dos jogos. São utilizados para entreter mas podem servir de ferramentas para auxiliar em muitas situações do nosso dia a dia. E educar nossos filhos dessa forma pode contribuir bastante para seu futuro, mas sempre é bom lembrar: quanto mais cedo entrarmos nessa aventura com eles, melhor, pois se começarmos muito tarde, muitos desafios e bônus terão sido perdidos, e haja moedas e ferramentas para acumular para tirarmos o atraso. Caso contrário: game over.

Sérgio Campelo é pedagogo, professor de Game Design e especialista em Gestão da Comunicação pela Universidade de São Paulo.

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